quinta-feira, 28 de maio de 2009

Uma Sexta-feira...

Toda sexta feira eu tenho duas aulas de Processo Civil nos dois primeiros horários. São os únicos horários preenchidos toda sexta esse semestre, os dois últimos ficaram vagos – para o alívio e alegria da maioria da sala. A matéria é ministrada por um professor muito competente em minha opinião, e se torna proveitosa e agradável.

Recentemente, algo – além da expectativa de algum programa pra sexta à noite e o aproveitar do final de semana – tomou meus pensamentos durante o transcorrer dessas últimas horas de aula da semana: uma colega de sala abriu um pote de creme hidratante, creio eu, e começou a passar em seus braços, numa naturalidade de quem esta confortavelmente em casa, no seu quarto, após o banho. O cheiro forte de morango percorreu toda a sala rapidamente, fazendo o professor instantaneamente parar a explicação e procurar, por de trás de seus pequenos óculos, a fonte do cheiro. A risada das colegas do lado e o começar dos cochichos na sala fizeram a colega se dar conta da brilhante constatação de que não, ela não estava em seu quarto, e percebendo que, ainda que sem dolo, havia interrompido a aula, se denunciou.

Mas o que realmente chamou minha atenção não foi à situação transcorrida até aqui. Ainda que engraçada a situação, foi a reação do professor depois de encontrar a causadora do sucedido - que a essa altura estava amaldiçoando a hora em que colocou o hidratante na bolsa - foi que me fez parar pra pensar.
De forma muito bem humorada, conservando o respeito e levando em conta o desconcerto todo da colega, o professor pediu indiretamente que ela guardasse o hidratante e voltasse sua preciosa atenção para o conteúdo ministrado na sala de aula. Tudo isso em segundos. Ele tinha o poder em suas mãos, bastava fazer a escolha. Poderia usar de grosseria, de um ordenar ríspido ou até fazê-la alvo de piadas e escárnio da sala. Mas não, escolheu fazê-la se sentir da melhor forma possível dada a situação.

O acontecido me fez admirar o professor mais ainda, mas, além disso, colocou minha imaginação pra funcionar: Como seria interessante se pudéssemos parar o tempo em situações em que tivéssemos que fazer rapidamente uma escolha importante, dar uma resposta considerável a um assunto difícil ou explicar algo doloroso a alguém. Como seria útil o poder parar o tempo nessas situações pra pensar um pouco, raciocinar antes de falar. Talvez um controle, ou algo do tipo, que no momento exato pudesse ser acionado e... Click!: Tudo pára. O mundo todo em volta, o tempo, a pessoa em nossa frente. Assim, depois de alguns minutos pensando haveria uma resposta bem melhor; ou quem sabe algumas horas para poder pensar melhor; ou até alguns dias com o tempo parado, assim haveria tempo suficiente pra ler um livro sobre o assunto, se instruir das mais variadas formas.

Realmente seria muito bom, evitaria muita dor e arrependimentos por palavras que foram, e por regra, nunca voltam. Mas fato é que não existe o tal controle, e voltando a realidade naquela sexta feira, vinte minutos para o fim da aula, constatei que realmente todas as nossas respostas, palavras e decisões, que tem que ser tomadas instantaneamente, sem dispor do conforto do tempo para pensar estão suscetíveis ao posterior arrependimento.

Mas então algo veio a minha mente: Apesar de nós, seres humanos, estarmos presos ao tempo, e ao transcorrer do curso regular dele, sem possibilidade alguma de modificações, fomos criados por um Deus que não está tolhido por esse tipo de barreira. Ele próprio criou o tempo. Está no passado, presente e futuro. Detém todo o conhecimento e sabedoria. Conhece o ser humano como ninguém, sabe o que seria melhor para cada situação, em todas as situações. E como se não bastasse, esse mesmo Deus disse que se pedíssemos sabedoria Ele nos daria; não qualquer sabedoria, não a sabedoria que o mundo tem para dar, mas a sabedoria que vem Dele, e por meio do Seu Espírito Santo habita em nós. Ao buscá-lo continuamente, ao persistir na busca por sabedoria, Ele nos dá entendimento, condições de tomar decisões corretas, de lidar com as mais diversas pessoas nas mais diversas situações. Ele sabe qual será o resultado, pode ver o futuro, não há o que temer, é só confiar. A vida de homens tementes a Deus é uma vida marcada por decisões acertadas em situações delicadas e de pressão, não por que tenham necessariamente algo de valor em si mesmos, mas por que Deus está agindo por meio deles, usando suas palavras, gestos e decisões para Sua própria gloria.

Depois disso acho que o descontentamento de não possuir um controle desses não foi tão grande. Foi substituído pela alegria de poder contar com meu Pai, e confiar que se eu render a minha vida, minhas atitudes e minhas escolhas diariamente a Ele, vou sempre andar em um caminho claro e reto, caminho esse que vai dar em lugar diferente de tudo o que eu jamais experimentei: a companhia eterna do meu Rei.

Um abraço.

7 comentários:

  1. Aeeeewww!!! Gostei. Tudo a ver o texto. Vou seguir e já está na lista de 'Sons que libertam' do meu blog.

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  2. Eras primo, maravilhoso o texto!! Deus continue te abençoando... =]

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  3. Fale Felipeeeeeeeeeeee,
    fica na paz!!!!! =)

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  4. Felipeeeeeeeeee

    Atualiza!

    Tô doida praler alguma coisa sávbia ou ouvir quem sabe!

    MISS U!

    karla veloso

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